Tudo que a minha mente pode imaginar, eu posso realizar!

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Inquietude

Entre a tristeza e a desesperança eis que nasce a inquietude.
Na doçura de sua face surgem berros e depois calmaria.
Bola ou boneca, flor ou espada.
Pobre inquietude, se agita tentando chamar atenção da tristeza para que ela reaja.
Rebelde inquietude, que lança seus gritos de ira contra a desesperança enchendo-a de dor para que renasça.
Forte inquietude, que vê a indiferença, o medo e a culpa assistirem esta luta.
Cansada inquietude, já não consegue mais gritar, já não consegue mais falar, então foge.
Em sua liberdade, a inquietude conhece a alegria e o amor.
Em sua calmaria, a inquietude é abatida por ventos fortes que arrebatam sua alma.
E de repente, na sua solidão, experimenta sua própria tristeza.
E sem saber o que fazer, enche-se de medo e culpa por não ter compreendido antes a dor, e esconde-se em sua escuridão.
Já vestida de desesperança a inquietude torna-se indiferente a própria vida.
Porém sua natureza inquieta encontra uma luz que a princípio ofusca sua visão.
E ela reage ainda sem saber o que fazer, mas ela segue em sua direção.
E quanto mais ela se aproxima, mais ela sente a força do amor latente, pulsando em seu coração.
E então, eis que o amor chega e transforma tudo a sua volta, trazendo a esperança, a alegria, a coragem, a compaixão e o perdão.

É hora de regressar inquietude! 
É hora de construir um novo caminho! 
É hora de ter a certeza de que a inquietude também ajuda a mover o mundo quando está junta do amor!

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O conflito dos extremos

Vejo uma verdadeira batalha na vida daqueles que buscam o sucesso e a felicidade. Muitas crenças e medos fazem parte da nossa verdadeira luta pela nossa completude.
Devemos conseguir materializar a abundância através de muito dinheiro ou abnegar-se dos recursos materiais para beneficio próprio e se dedicar a busca da espiritualidade e do amor.
Devemos viver somente de momentos de alegria e descontração  ou enfrentar a busca do conhecimento e encontrar nos livros as respostas de si mesmo sem se distrair com nada. 
Devemos nos dedicar a família completamente e aceitar tudo com paciência ou devemos ir em busca de nossos ideais e esquecer as opiniões dos outros.
Devemos dividir nossas conquistas com os menos favorecidos ou devemos servir de exemplo ao próximo com nossas conquistas e mostrar que todos podem conseguir (ensinando a pescar)
Devemos isso ou aquilo, devemos tudo ou nada...
Nesta luta pelo equilíbrio, todos que conseguem ter sucesso e ser feliz em uma das partes, se agarra a esta parte para acreditar na vitória e acaba por se sentir superior aos demais, porém enquanto estiver na luta, ninguém sai vitorioso por completo, pois nos perdemos no contexto do todo!
E pergunto: Como conseguir este equilíbrio? Como diluir a dualidade e unificar nossa roda da vida?
Nossa visão linear nos faz sempre focar em um dos lados, não conseguimos nos unificar e acabamos por saltar pela pluralidade do ser, onde ora somos abundantes financeiros e ora somos abundantes espirituais, ora somos abundantes em alegria e ora somos abundantes em conhecimento, ora somos aquilo que acreditamos ser, sem nos fundir em nós mesmos.
E isso nos faz acreditar que somos seres imperfeitos quando comparamos nosso todo aos demais. Por isso nos apegamos em um dos extremos onde somos perfeitos para esconder nossas imperfeições. 
Hoje em meus devaneios, me pego a acreditar que os demais são as diversas partes de mim mesmo gritando meus desejos e a ânsia em me conhecer.  E neste busca de equilibrar minhas partes, minha roda anda capenga ainda, continuo no exercício de estica e puxa, de um lado para o outro, caminhando na esperança de fluir a perfeição em nossas vidas.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Caminhando por Santiago de Compostela

Caminhando por Santiago, comecei a compreender um pouco mais o sentido da vida, da minha caminhada pela vida. Percebi que quando decidi fazer o caminho já sabia que ia chegar até a Catedral, independente das pedras que ia encontrar pelo caminho. Não importava o “como” chegar e sim “onde” eu estava determinada a ir. Eu senti que eu conseguiria, eu senti que o caminho me chamava, eu senti que era o momento certo para dar este passo em minha vida. O primeiro passo começa em decidir aonde você quer ir e se sentir chegando lá!
Depois que eu decidi e dei meu primeiro passo rumo a este caminho eu comecei a planejar o que precisaria fazer para chegar lá, achei que se me preparasse fisicamente, se organizasse minha mochila de modo tudo a ficar fácil, que se eu levasse creme para descansar as pernas, kit anti-bolha, meias apropriadas, blusas corta vento, capa de chuva, luvas, eu estaria protegida do frio, do vento, da chuva, das bolhas. E o pior eu pensei que levando meus kits de auto cura e ferramentas de PNL, e todas as técnicas eu ia fazer o caminho como se fosse uma viagem de turismo, aí era só inserir o CD com as perguntas a serem respondidas que elas chegariam até mim num piscar de olhos.  Muito bem, por mais que tudo pareça uma ciência exata como a matemática existem variáveis infinitas que jamais poderão ser previstas por nós, e por mais que você aprenda na teoria tudo que é preciso ser feito, na hora da prática as coisas saem diferente daquilo que a gente planejou! Quando nos prendemos a planejar “o como faremos” fechamos nosso campo de possibilidades infinitas para o universo e carregamos peso demais que não é necessário.
Durante a caminhada protegi meus ouvidos do vento com o capuz da blusa, ora apertava, ora afrouxava. Coloquei capa de chuva para me não me molhar, mas toda vez que precisava pegar algo na mochila, eu me molhava ainda mais. Usei luvas para me proteger do frio, porém elas não me permitiam pegar nada na mala ou nos bolsos sem precisar tirá-las. Desviei de poças de lama para não sujar a bota, mas quase escorreguei no barranco desviando delas. Depois de alguns passos, fiquei mais incomodada com tudo aquilo que decidi me permitir sentir a chuva e lembrar do quanto eu tinha pedido para brincar na chuva quando criança, me permiti sentir o vento e escutar a sintonia perfeita que ele fazia ao gritar entre as folhas, permiti sujar as botas na lama e ver que durante o caminho metade do barro ia ficando pela estrada, permiti sentir o frio nas mãos e ver que ao longo do caminho a gente já nem sente mais o frio e o corpo consegue se adaptar. Então o caminho me disse:  entregue-se e agradeça aquilo que a vida está te oferecendo, permita sentir o que a vida está te dando, não se proteja com armaduras para evitar que algo aconteça, isso só tornará mais árdua a sua caminhada e acabará não permitindo você perceber paisagens lindas que estão a sua volta, acabará não permitindo você sentir o quanto o fluxo da vida é maravilhoso!
Depois de largar as armaduras comecei a observar a chuva e o sol com uma intensidade jamais vista, comecei a perceber que alguns dias o céu estava azul cristalino e outros cinzento, e consegui perceber que o céu azul é bonito de contemplar e o cinza pode nos alertar para a chuva que vai cair ou o frio que vai fazer. Percebi muitas pedras, entendi que algumas pedras devem ser puladas, outras desviadas e outras você nem percebe que estão lá, e as vezes a gente até brinca com elas pelo caminho. Mas percebi que mesmo que existam pedras no caminho você consegue passar e também sempre haverá flores para contrastar com elas. Percebi que se eu estiver vendo uma paisagem linda a minha volta, ou estiver com uma companhia agradável, pouco importa o cheiro de bosta de vaca. Vi pessoas sorrindo e outras sofrendo de dor. Percebi jovens caminhando lentamente e idosos caminhando com velocidade. Percebi que a idade é apenas uma forma de contar os anos, mas ela não te impede de nada e nem de ser mais rápido ou mais lento, o ritmo é você que escolhe. E em meio a todos estes cenários representando a dualidade da vida percebi que são nas diferenças que a vida se faz, são elas que nos movem para frente, e tudo depende da forma como olhamos e lidamos com elas, e isso é uma escolha nossa. Compreendi que a vida sempre está pronta para compartilhar com você todas as respostas, mas ficamos tão preocupados com as distrações do dia a dia que nem olhamos o belo que está ao nosso lado.
Durante esta caminhada que cada vez mais se tornava interessante pude compartilhar de momentos ao lado de pessoas maravilhosas e compartilhar de histórias e aprendizados de cada uma delas. Pude apreciar momentos de alegria e de dor, pude compreender durante as conversas que alguns traziam através de suas histórias respostas para as minhas perguntas e que outras vezes eu podia compartilhar a resposta sem precisarmos fazer a pergunta um para o outro. E que fazemos um esforço enorme em querer ajudar o outro, dando nossas opiniões, analisando racionalmente, julgando, quando na verdade não precisamos nada disso só precisamos apenas ser nós mesmos e ouvir a voz que se manifesta através do outro. Estamos todos conectados e sempre há uma voz que virá te dar a resposta para aquilo que você precisa para seguir adiante, sempre aparecerá uma seta amarela para te dar a direção, e esta seta não virá através de nenhum anúncio com neon, mas da maneira mais simples que muitas vezes não nos permitimos ver ou ouvir. Sempre tem uma alma que vai estar junto de você seja ela viva ou não, que vai te ajudar a ser um ser humano melhor e a tornar outros seres humanos melhores. Temos que estar pronto para ouvi-los.
Neste momento consegui identificar as principais setas que me foram colocadas no meu caminho até aqui. Inclusive em um dos momentos do caminho enquanto eu andava sozinha eis que surge uma destas setas trazendo uma voz atrás de mim: ” você não está usando os cajados da melhor forma” e eu parei, claro por educação para aprender o ensinamento, mas já com os meus pensamentos falando: “Eu Já tentei, não consigo. Acabo sempre me atrapalhando mais do que ajudando”. Sorri e agradeci e segui o caminho bagunçando meu cajado com meus passos mais rápidos que ele, foi aí que Napoleon Hill soprou em meus ouvidos: “Se você pensa que não vai conseguir, a vitória não sorrirá para você”. Ri de mim mesma e então decidi que eu conseguiria sim fazer algo tão simples, afinal duas vozes estavam me desafiando. Então percebi que que eu tinha me negado aprender algo que eu achava bobo demais. Então comecei a praticar sozinha: direita, esquerda, direita, esquerda, e de repente eu já trocava tudo e os pés eram mais rápidos que as mãos, dava dois passinhos com o mesmo pé para alcançar o ritmo do cajado, e eu ria sozinha pelo caminho, e lembrei de uma aula  quando o professor disse que precisávamos de 5000 horas para nos tornarmos excelentes e decidi que ainda tinha muito caminho pela frente para eu praticar a direita e esquerda com meu cajado. Depois de muitos km rodados eu me vi como uma inconsciente competente e satisfeita por ter me permitido aprender e errar, aprender e acertar, acertar e perceber que eu devia definitivamente praticar a Filosofia do Sucesso! Se eu estava me comportando assim para coisas bobas, imagine para o que realmente importa. Foi aí que a Filosofia ficou consumada, no momento em que eu percebi que errar faz parte do processo desde que eu acredite que vou vencer! Foi neste momento que tomei a decisão de que eu preciso me permitir errar, ser menos crítica comigo mesmo, acreditar em mim mesma, para que eu possa avançar nos meus sonhos senão vou estar a todo momento dando voltas em círculos.
E nesta caminhada cheia de setas amarelas tive o privilégio de encontrar pelo caminho um atleta paraolímpico que estava lá fazendo carimbos na Compostelana com um capricho e uma boa vontade para realizar o sonho dele de ir para as Olímpiadas de 2016. Ele estava lá de moeda em moeda, de carimbo em carimbo, esperando o próximo peregrino sem nenhuma ansiedade, sem nenhuma pressa de fazer cada carimbo, mesmo que esse capricho o levasse a perder a moeda de outros peregrinos. E ele me deu uma das principais setas para eu seguir a minha eterna caminhada. Quando queremos um sonho, não importa o “como faremos” ou “o que faremos”, o que importa é onde queremos ir. Aceitar as possibilidades que o caminho está me oferecendo e recebe-las com carinho e amor, mesmo que a princípio, pareça não fazer sentindo, mesmo que aquele trecho esteja tão distante daquilo que é meu sonho, mesmo que seja incerta a passagem dos peregrinos para deixar a moeda, se eu acreditar na vitória o caminho me mostrará as setas que devo seguir. A vida sempre encontrará uma maneira de me dar aquilo que preciso para obter a vitória, só preciso aceitar e confiar que mesmo de moeda em moeda, eu vou chegar aonde estou determinada a ir, a única coisa que eu devo fazer é dar o primeiro passo e colocar amor em cada ato. Tomei a decisão de abandonar a ansiedade de querer resolver tudo imediatamente, de querer que as soluções e as mudanças aconteçam da noite para o dia, de me abrir para o que o Universo está me dando e fazer de cada ato um ato de amor!
E nesse caminho que estava percorrendo e tendo a oportunidade de aprender, a dor em meu joelho insistia em me acompanhar. No preparatório que fiz no Caminho do Sol eu já havia sofrido com outras dores e tinha percebido que quanto mais eu resistisse a ela e tentasse controla-la mais dolorido e difícil ficava meu caminho, resolvi aceitar e respeitei meu limite, adotando um ritmo bom para nós. Mas em alguns momentos o peso da dor e do cansaço precisavam ser vencidos, eles gritavam mais alto. E nesta hora mais uma pessoa apresentou-se como uma seta para as minhas respostas dizendo: Quando a vida está muito difícil, você precisa deixar a seriedade de lado e se divertir, encontrar coisas que te tragam alegria, tirar a mente da dor e da dificuldade. “ Realmente, depois do nascimento do meu filho e meu processo de separação, eu havia me tornado muito racional e me colocado dentro de uma caixa e eu senti que precisava trazer minha criança interior de volta. E como foi divertido traze-la à tona! Eu precisava voltar a me conectar com as pessoas e perceber eu posso falar besteiras, eu posso fazer coisas “bobas”. Que eu posso dançar e pular sempre que eu quiser. Eu precisava parar de intelectualizar tudo a todo momento, eu estava sendo arrogante me isolando das pessoas que estavam fazendo estas coisas como se elas não estivessem seguindo o caminho para a evolução, como se elas estivessem desperdiçando o tempo dela com besteiras. E no momento mais difícil do caminho eis que surge o “Chupito” para trazer a consagração desta resposta, e eu decidi que a minha vida deve ser vivida com alegria e menos crítica e julgamentos a mim mesmo e aos outros, que eu preciso aprender me divertindo, que eu preciso trabalhar me divertindo, que preciso ser mãe me divertindo. Por que a vida é feita de alegria, não posso mais deixar para o fim a felicidade, caindo assim a crença de que a “felicidade não é deste mundo”! Ela é sim, aqui e agora!
E nesta resposta eu compreendi que eu tinha deixado de lado minha vaidade, tinha deixado de cuidar de mim por ter uma crença muito forte de que para ser humilde eu precisava vestir um chinelo feito de palha e uma roupa maltrapilha, ser pobrinha, e largar tudo que eu havia intitulado como “mundano” para poder “carregar a cruz pesada de Cristo em troca do Reino dos Céus.” A crença mais forte que guiava meus passos até hoje caiu por terra. Aí veio em minha mente meus comportamentos e atitudes que estavam fazendo parte do meu dia a dia, que estavam norteando meus passos e me afastando de mim mesma. “Pode deixar que eu resolvo” “Se não sou eu a resolver isso” “Está vendo, eu consigo carregar esta cruz”! “Apesar de difícil e pesada eu sou forte, eu aguento o peso da cruz“. “Eu não preciso destes aparatos para ficar bonita, pois isso aqui é só um corpo que a Terra vai comer”. “Eu não vou tomar um chopp que isso é da época que eu estava na escuridão” “Essas pessoas são muito imaturas”. E minha voz interior gritou: “Está vendo como eu sou humildezinha”. “ Está vendo como eu estou caminhando em direção ao Reino dos Céus”. E ela riu e disse: “Nossa, quanta arrogância disfarçada de uma luta por humildade!!” Quando percebi isso, num primeiro momento fiquei com raiva de mim, pois há tempos venho tentando melhorar meus defeitos, mas não sabia que era a minha definição de HUMILDADE que era minha crença mais limitante! Descobrir isso foi mais dolorido que a dor do joelho que me acompanhava. Por sinal aí estava a razão desta dor!
Foi nessa hora que havia chegado a hora de confirmar a lição do perdão que tinha começado no encontro antes do caminho com a minha mãe, seguida do perdão por toda história vivida junto ao meu pai, que vivi e senti aos pés de São Roque no caminho de Cebreiro até Triacastela, era chegada a hora de eu ME perdoar, era chegada a hora de largar a cruz, de eu saber que tudo que eu havia vivido e estava vivendo tinha sido necessário e tinham me levado até ali. Naquele momento eu senti que realmente a vida é um eterno caminhar, cheio de acertos e erros, cheio de escudos, máscaras e proteções que vestimos para suportar dores que vão nos corroendo ao longo da vida, e que usamos os recursos que temos disponíveis para enfrentar as situações da vida. E isso não é o fim do mundo e nem motivo para condenação nem minha e nem de ninguém. É apenas a melhor opção para o momento. Eu usei a arrogância disfarçada de humildade por que em alguns momentos da minha infância onde eu precisava de colo eu tive que mostrar força para suportar as dores que estava vivendo e eu venci aqueles momentos, eu superei. Repeti apenas os comportamentos que tinham dado certo naquele momento. Percebi que meus irmãos escolheram outras opções para a mesma situação e nenhum de nós fez a escolha errada. Fizemos a escolha que podíamos suportar. Percebi também que algumas destas dores que eu mascarava eu consegui descobrir e superar rápido, outras eu precisei carregar até aqui para tirar o véu e superar e outras ainda podem estar escondidas e no momento certo elas vão surgir.
Foi aí que fiz a analogia do caminho como um todo, onde cada um de nós estava percorrendo o mesmo caminho, mas cada um de nós estava usando os recursos e agindo e reagindo de acordo com o que estava preparado, carregando a mochila da melhor forma que podia carregar, segurando ou não o cajado, usando capa ou não, com bolhas nos pés ou não, reclamando ou sorrindo, com dor ou sem dor... E percebi que dentro deste mundo de infinitas possibilidades e contrastes entre opostos todos nós vivemos as mesmas lições em alguma situação, ou trecho do caminho da vida. E mais uma vez o caminho me trouxe a resposta para uma das minhas perguntas: Cada um tem o seu tempo, cada um tem a sua forma de enfrentar as situações! E não existe tempo certo ou não, não existe forma certa. A lesma que percorria o caminho lentamente, assim como o burrinho que carregava o peso de seus donos, assim como os bois seguiam pelo pasto, assim como eu estava ali a caminhar, todos estávamos a percorrer um trecho do caminho da vida, sem julgamentos, sem medo de ser criticado. As pessoas podem ser lesmas e eu não posso mudar a natureza delas se assim elas decidirem e eu posso ser aquilo que eu quiser independente do olhar crítico dos outros. Decidi nesta hora que era tempo de parar com medo de não fazer as coisas e ser criticado, ou fazer e já se colocar na defensiva sabendo que ia ser atacada pelas críticas. Também decidi que não devo mais julgar o comportamento do outro ou querer que o outro mude, cada um tem seu momento, sua hora e sua forma de ser. A minha realidade é diferente da realidade do outro, o que eu vejo, ou sinto não é o que o outro veem ou sente. E que eu tenho que me amar independente de qualquer coisa, com meus erros e acertos.
E segui minha caminhada, e percebi que estávamos todos ali caminhando cada um do seu jeito, e no seu tempo, a sua maneira convivendo com o amor, com a dor, com a alegria e a tristeza, fazendo amizades, olhando o passado e projetando o futuro, mas vivendo intensamente cada passo do agora para a consagração da chegada. E para essa chegada, mesmo quando você acha que não tem mais forças, a dor é intensa, o cansaço já toma conta de você, é hora de você focar na sua certeza do destino e nesse sentimento de vitória encontrando uma energia que jamais você imaginaria ter e se conectar com o divino e dar a volta por cima e seguindo em frente para a consagração, para sentir o gosto da glória com a certeza de que o caminho nunca acaba, as respostas que hoje são respondidas, trazem novas perguntas e assim o caminho recomeça a cada final.
E o meu caminho hoje recomeça com a certeza de que somente eu posso escolher os recursos que vou usar em cada trecho que vou percorrer, qual a velocidade que vou colocar em cada passo que vou dar, quais as pessoas vou escolher para estarem ao meu lado ou quais os momentos que vou preferir estar sozinha, qual a estrada que quero pegar, qual o rumo que vou seguir. Somente eu que posso escolher o que quero carregar, se quero levar culpas, mágoas e fracassos em minha mochila ou se eu quero caminhar com a leveza do perdão. Só eu posso escolher me levantar a cada tombo, se eu quero sorrir ou chorar de cada dor, se eu vou desistir a cada erro ou se eu vou tentar mesmo com medo. Só eu posso escolher se vou olhar para a beleza do caminho ou se vou ficar preocupada com o cheiro que ele tem ou com as pedras que estão nele. Só eu posso escolher levar as lições desse caminho para adiante. Só eu posso escolher manifestar ou não Deus em mim. Só eu posso amar ou não cada momento da vida que me foi dada.
E foi nestas certezas que escrevi minhas cartas, desenhando meu futuro com amor, permitindo ao Universo me proporcionar suas infinitas possibilidades dentro do caminho que quero seguir. E foi nestas certezas que defini em minhas metas criar novos hábitos. Hábitos esses que me levarão a novos caminhos. Entre eles posso citar: Cuidar do meu corpo, mente e alma igualmente, Ser grata a cada momento que o Universo está me proporcionando, confiar e permitir Deus se manifeste através do amor ao próximo, Buscar conexões com as pessoas sem julgamentos, medos ou críticas. Perdoar e aceitar as escolhas de cada um. Permitir me divertir sem culpa, trabalhar com amor e aceitar a abundancia da vida!

E diante destes novos hábitos eu escolho hoje agradecer a Deus pela oportunidade de viver estas possibilidades. Eu escolho agradecer aos meus pais, avós e antepassados por terem usado todos os recursos que eles tinham disponíveis e por terem carregado suas mochilas pesadas, por terem feitos suas escolhas, que me direcionaram até aqui. E escolho agradecer a todas as pessoas que foram setas amarelas ou anjos em minha vida e fizeram a diferença na minha estrada, algumas mais que as outras, mas todas na sua devida importância. Eu escolho agradecer a todos que fazem parte do meu caminho a honra de compartilhar este caminho de transformação de seres humanos para um mundo melhor! Hoje eu assumo a responsabilidade de compartilhar este caminho com outras pessoas e me permitir fazer a melhor escolha.

Crenças

Deus habita em todos nós e Ele pode se manifestar com sua perfeição em todos os seres vivos, a prova disso é a natureza que o recebe com toda a sua perfeição!
Mesmo a água que bate na pedra, ela segue o seu curso perfeito. Mesmo o pássaro que cai do ninho, manifesta seu voo perfeito, mesmo as árvores que nascem tortas encontram o caminho que as permitem manifestar sua perfeição.
Então por que não consigo manisfestar minha perfeição? Em busca desta resposta fui em busca das minhas crenças em relação a Deus e a perfeição. E as perguntas foram inevitáveis.
Sempre me falaram de Deus como sendo o pai do Céu, portanto Deus estava em um lugar bem distante de mim que eu não sabia fazer para chegar até Ele. Para chegar até ele seria preciso alcançar a perfeição.
Também me disseram que somente se eu alcançasse o Céu poderia desfrutar da companhia Dele. E de pequena me perguntava como chegaria lá se nem asas tinha? Ai me disseram que eu precisava subir uma escada bem longa que não podia ver o fim dela e cada degrau seria um passo para a perfeição, mas demorava uma vida toda para conseguir subir, ou as vezes muitas vidas e teria que sofrer muito, carregando uma cruz tao pesada quanto a de Jesus para conseguir subir! E também que cada vez que errasse ou pecasse contras as "regras" eu descia alguns degraus e de nada adiantaria carregar essa cruz, pois um erro tinha mais peso que dez acertos. E quanto mais eu estava tentando alcançar esta perfeição me deparava com minhas imperfeições e me sentia mais indigna de chegar até Ele.
E sempre questionei quais regras seriam estas que me levariam até o topo? Quão pesada deveria ser minha cruz para realmente chegar até o topo da escada? Será que eu teria que me tornar santa, madre, fazer milagres, ou ficar bem quietinha que assim corria menos risco de errar?
E o pior ainda me disseram que chegando lá ainda tinha que passar por um juízo final? E me questionei o que será que Ele avaliaria depois de eu ter tanto trabalho de subir aquela escada? Nossa, era como fazer uma prova final onde cai todos os ensinamentos que me foram dados e eu tinha que provar que tinha aprendido tudo 100%, senão não poderia passar pela porta do Céu.
Me disseram que passava um filme com tudo que fiz de certo e errado, principalmente o que era errado para me torturar um pouco e me matar de ansiedade, e me perguntariam se eu estava arrependida dos meus pecados. (é claro que depois de tudo isso, eu diria que sim para poder entrar no Reino de Deus). Se eu, num momento de loucura dissesse que não estava arrependida então eu não era merecedora de desfrutar o Reino de Deus e que teria que passar um tempinho no inferno ou no Umbral, ou num lugar muito escuro, para aprender a ser como Cristo, pois carregou uma cruz com o peso de todos os pecados da humanidade para salvá-la e conseguiu sentar a direita de Deus Pai, e de lá nunca mais saiu e passou a nos observar junto de Deus.
E mais um questionamento vem em minha mente, como posso salvar a humanidade para também estar lá. Ai me vem mais uma história que me contaram: que era impossível nesta vida ser como Cristo. Por mais que você tente, não queira se comparar a ele pois é pecado.
E lá vem meu pensamento questionador: se não posso ser como ele, mas para chegar ate Deus preciso ser como ele, será que não estamos andando em círculos?
Seja boazinha se não Deus castiga. Não questione isso tudo, isso é coisa do diabo!
Me pergunto, será que esse "Deus que eles me ensinaram a amar desde pequena, me deixa cair para poder implorar por ajuda Dele? Me entrega na mãos dos inimigos para eu aprender? Deixa que os inimigos ajam para que eu possa aprender? Me dá muitas vidas, mas em troca me dá provas mais difíceis e mais difíceis? Me manda passar um tempo com seu maior inimigo para dar valor a Ele? Mas Ele não ama a todos? E como Ele pode ter inimigos? Ele não nos diz que só através do amor conseguiremos atingir o reino do céus? Porque estamos sempre indo através da dor, do castigo? Mas Ele não é justo, por que uns recebem mais e outros sofrem tanto? Ele nos coloca como regra em seus mandamentos " não julgais" e Ele me julga? Será que esse Deus que nos constaram existe mesmo ou é invenção para nos controlar?
Crescemos pensando em Deus como um Pai castigador e julgador, e esse modelo de pai se estende sobre todas as famílias. Acreditamos que através de lições difíceis e de dor chegaremos até lá e nossos filhos também.
Frequentei templos, terreiros e centros na esperança de descobrir como chegar até Deus. Li livros e tentei falar com os mais velhos para tentar responder essas perguntas que através do meu senso lógico não se encaixam. Me deparei com pessoas que estavam a falar os passos para este caminho de luz, mas que também não conseguiam seguir o que falavam. E cada vez mais não concordava com esse "Deus" que diziam que era justo, mas permitia meu sofrimento e de toda a humanidade.
E em determinado momento da minha vida onde eu não aguentava mais tanto sofrimento e dor, afinal eu seguia os passos que me diziam, mas tudo dava errado, então eu me desesperei e cheguei a renegar a existência Dele. Cheguei a dizer naquele momento de dor, que se ele existia, então ele gostava de ver os humanos sofrerem para então vir como Salvador e ganhar as glórias. Se fosse isso mesmo, o Ego de Deus era o maior de todos.
E no meio do meu Sofrimento, mesmo diante de todos os meus questionamento eu tinha a certeza Ele existia, não dá forma que tinham me falado, mas de alguma maneira que minha consciência não conseguia compreender. Foi aí que compreendi o significado da palavra fé. E foi aí que permiti que Ele se manifestasse em mim. Me entreguei, pois não tinha mais forças para seguir sozinha, e Ele me mostrou a sua Luz e eu o junto das minhas imperfeições perfeitas, juntos dos meus erros acertados, junto dos meus "pecados" perdoados. Porque Deus é o amor que você consegue sentir diante de todas essas imperfeiçoes, é o amor que você consegue viver diante de todos os seus erros, é o amor que você compartilha diante dos seus "pecados".
Hoje eu escolho Deus. Sei que em alguns momentos quero ainda agir sozinha, mas já não tenho a expectativa de subir nenhuma escada para encontra-lo, apenas sei que no meio do turbilhão de sons e eventos que é minha vida, é no silencio do meu caminho que sentirei Sua presença junto a mim, pois ele estará lá junto a mim sempre, mesmo que eu não esteja consciente disso. Hoje já não quero contar quantos vezes acertei ou quantas errei pois sei que não há julgamentos a não ser os meus próprios julgamentos. Ele estará me apoiando em cada escolha, mesmo que a escolha me leve por um caminho maior. Hoje eu sei que Deus não está somente no céu, mas está na natureza, no cantar dos pássaros, no fluir das águas, no meu amigo e no meu inimigo, no ar que respiro e em tudo e todos nós ao mesmo tempo, pois somos uma Unidade e todos podemos manifesta-lo ou não. Hoje já não quero mais julgar as escolhas de cada um e nem as minhas, pois são elas que nos farão dar continuidade a vida, continuar a presença divina da forma que escolhermos que ela se permeie. Sao essas escolhas imperfeitas ou perfeitas, certas ou erradas que determinarão o próximo passo do meu caminho. Hoje eu escolhe caminhar sentindo a presença Dele em mim, e quando eu não o sentir, saberei que é hora de silenciar, de me calar para ouvir e sentir qual o próximo passo que daremos juntos.
Convido a você a abrir esta porta para manifestar Deus que habita em você sem medo. Sem Culpa. Convido você a se sentir merecedor desta presença em todos os momentos da sua vida!
Não mais O procure somente no Céu, procure-O em você, é aí que Ele irá se manifestar para você.


quarta-feira, 10 de junho de 2015

O medo de errar

Somos a soma de nossas decisões e de nossas renúncias. 
Muitas vezes deixamos que a vida decida por nós pois assim teremos o consolo de culpar alguém pela decisão.  
E o que nos leva a decidir não decidir? O medo de errar.
Só nos tornamos verdadeiramente adultos quando perdemos o medo de errar. 
Prorrogamos nossas escolhas porque queremos ter certeza absoluta – pois errar parece a morte. 
Crescer dói porque precisamos aprender a tomar decisões e, depois, conviver pacificamente com a dúvida e com as consequências. 
Crescer é ter coragem de aceitar e assumir o sabor das escolhas.
A maturidade e o crescimento só vem quando descobrimos que nunca teremos certeza absoluta de nada, nem mesmo da morte. Crescer é "morrer" diante de fracassos e frustrações, e voltara para vida, é compreender que é normal morrer várias vezes numa única existência e ainda assim continuar seguindo. 

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Seguindo sempre em frente

Não importa a batalha que se apresente para mim a melhor escolha que tenho sempre é enfrentar.
Mesmo que doa, mesmo que eu chore, mesmo que machuque ou de medo, eu sigo em frente.
Seguir adiante é escolher crescer!
Se eu perder eu ainda assim ganhei.
Ganhei aprendizado, ganhei experimentar!
Avaliar as derrotas faz parte do sucesso, faz parte da evolução!
A cada derrota um recomeço para o triunfo.
Escolho todos os dias ser protagonista da minha vida, porque eu nasci para vencer!

Um homem de muita fé

Saudades de um grande homem que pautava sua vida na família, justiça e solidariedade. Mesmo incompreendido algumas vezes por suas ações, sua perseverança deixou marcas na vida de muitos. 
Seus valores fizeram história. Nos devaneios de sua juventude a justiça falava alto norteando seus passos para que ela fosse feita a qualquer custo, valia até mesmo sair de si para que as pessoas a sua volta pudessem compreender seus gritos de uma vida diferente daquelas crenças nunca antes questionadas. A incompreensão dos seus o levaram a procurar escapes para aliviar a dor que sentia ao ver tanta cegueira. E diante de tanta cegueira, ficou vagando perdido em si mesmo buscando  uma resposta para tudo isso. 
Sua perseverança o salvou, saiu da escuridão para irradiar luz pelo caminho da humanidade. Renasceu das cinzas como uma fênix e seguiu para cumprir sua missão. 
A família se tornou seu troféu e unir a todos era sua busca incessante. Plantou uma árvore robusta, que produziu frutos e novas sementes capazes de suportar os mais longos invernos, as mais duras tempestades e ainda florir em suas primaveras. Foram seus frutos que o acompanharam daí em diante para que viesse sua consagração diante daquilo que seu coração pulsava desde sempre: a solidariedade. 
Foi através de suas palavras e de seus gestos de compaixão e do amor ao próximo que soube compartilhar tudo o que a vida havia lhe dado de bom. Suas ações inundaram uma cidade com amor e dignidade de um verdadeiro trabalhador de luz. Deu a todos que o procuravam, sua solidariedade. 
Como prêmio na conclusão desta caminhada, Deus deu-lhe a oportunidade do aprendizado mais difícil, a lição da humildade, tirando dele a autonomia sobre seus movimentos e permitindo a ele receber o amor de de sua amada e de seus filhos e amigos por quem ele tanto batalhou durante toda a vida. 
Sua jornada nesta vida foi completa e ele transcendeu como um anjo nas mãos de Nossa Senhora Assunção e de Sao Roque. 
Te amo pai. Minha Gratidão eterna pelos exemplos deixados!